quarta-feira

dor do silêncio

"O silêncio é o maior dos martírios;
nunca os santos se calaram"

Blaise Pascal

domingo

como?

loucamente
freneticamente
te desejo

terça-feira

todo teu

apetece-me acordar no teu corpo
apetece-me abraçar o calor da tua pele
dedos que procuram os teus seios macios
o enrijecimento dos teus bicos nos meus dedos
os sinais de tremor do teu corpo adormecido
o teu corpo aninhado em mim que me procura
a tua pele roçada no meu desejo desperto
o gemido dos teus mamilos aos meus dedos húmidos
o meu sexo que procura os teus lábios quentes
entalado entalado entre as tuas pernas provocadoras
as tuas mãos que me prendem ao calor do teu corpo
acordam todos os meus sentidos despertos pelo teu ser
concentrados na magia das tuas fantasias
ficam reféns da tua paixão, da tua entrega, do teu amor
e eis o que eu desejo...
ser teu...
todo teu!

domingo

Não ser


Ah! arrancar às carnes laceradas
Seu mísero segredo de consciência!
Ah! poder ser apenas florescência
De astros em puras noites deslumbradas!

Ser nostálgico choupo ao entardecer,
De ramos graves, plácidos, absortos
Na mágica tarefa de viver!

Quem nos deu asas para andar de rastos?
Quem nos deu olhos para ver os astros
- Sem nos dar braços para os alcançar?!...

By: Florbela Espanca

sábado

Deixa os meus dedos navegarem na tua pele

por muita água que usemos,
tenho-te entranhada em mim, mas
agora na tua ausência aqui nesta cama
dói a ausência do teu corpo nos meus braços

segunda-feira

Solidão


Aproximo-me da noite
o silêncio abre os seus panos escuros
e as coisas escorrem
por óleo frio e espesso

Esta deveria ser a hora
em que me recolheria
como um poente
no bater do teu peito
mas a solidão
entra pelos meus vidros
e nas suas enlutadas mãos
solto o meu delírio

É então que surges
com teus passos de menina
os teus sonhos arrumados
como duas tranças nas tuas costas
guiando-me por corredores infinitos
e regressando aos espelhos
onde a vida te encarou

Mas os ruídos da noite
trazem a sua esponja silenciosa
e sem luz e sem tinta
o meu sonho resigna

Longe
os homens afundam-se
com o caju que fermenta
e a onda da madrugada
demora-se de encontro
às rochas do tempo

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

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